Um desenho… para quem ainda não entendeu.

Muito se tem falado do eucalipto.
Quem percebe realmente do assunto afirma há décadas que:

  • … o eucalipto é altamente inflamável
  • … é de combustão extremamente rápida
  • … é capaz de projetar matéria incandescente a várias centenas de metros, muito mais do que qualquer outra espécie
  • … consome grandes quantidades de água
  • … reduz dramaticamente a biodiversidade quando plantado em regime de monocultura
  • … as suas folhas, ramos e cascas não se degradam com facilidade, gerando mais toneladas de matéria inflamável
  • … esgota os nutrientes do solo

E no entanto, a área de eucalipto no nosso país tem vindo sempre a aumentar até ao ponto do absurdo.

Diz-se que quando alguém não percebe uma ideia, é melhor fazer-lhe um desenho.
Assim, hoje de manhã desenhei um eucaliptal da forma mais objetiva possível:

desenho1

Introdução ao blog… em jeito de timeline

Muitos dos que irão ler este post (a maior parte, seguramente), conhecem-me apenas como fotógrafo profissional: o António Sá das reportagens, dos workshops, dos passeios fotográficos, das exposições.
Mas por baixo desta pele, e pulsando de forma mais intensa, sempre houve o outro António Sá – o naturalista, o ativista de causas ambientais… o mesmo cuja vida foi resumida pela filha da seguinte forma: “o meu pai pendurou-se numa ponte, foi preso e baleado pela polícia”.

Mas para que não se fique com ideias erradas, e para dar a conhecer o alter-ego que assina este novo blog, deixo aqui uma breve cronologia:

  • 1968: nasci em Espinho sem saber nada de ambiente nem do mundo onde me ia meter.
  • 1974-1983: passava temporadas em Viana do Castelo com os meus avós maternos. Aprendi a gostar da natureza no rio Lima, nas praias gélidas de Carreço e Afife, nos passeios de caça com o meu avô – onde ele não caçava nada só para me ensinar coisas.
  • 1979: um acampamento na serra da Freita, Arouca, fez acontecer a minha foto nº1 – uma queda de água no Rio Caima. A natureza encontrava-se com a fotografia pela primeira vez na minha vida. Fiquei viciado (e ainda estou).
  • 1982: tinha 14 anos quando um caçador me apontou a arma e disse para sair dali senão dava-me um tiro. Ele estava a caçar pombos domésticos em zona proibida; eu sabia a lei da caça de cor (graças ao meu avô) e não resisti a questioná-lo. Fui resgatado pelo Pedro G., então já um responsável universitário, que me rebocou pela gola da t-shirt dali p’ra fora.
  • 1987: uma namorada dinamarquesa ofereceu-me uma t-shirt da Greenpeace… da qual eu já era membro.
  • 1990: acabei o curso em Gestão Hoteleira a perguntar-me porque é que o tinha feito.
  • 1992: casei com a única razão verdadeiramente válida para ter feito hotelaria: a Ana, que conheci durante o curso, animou ainda mais a minha veia ambientalista mas também soube refreá-la a tempo, quando a coisa se tornou demasiado séria.
  • 1993: eu e a Ana passámos a integrar a Quercus… em grupo somos sempre mais fortes!
  • 1993-2000: promovi, em nome da Quercus, inúmeras sessões de sensibilização ambiental em escolas básicas e secundárias… por pura carolice, sempre que tinha tempo livre.
  • 1994: idealizei e concretizei um protesto contra a incineração de resíduos sólidos no Grande Porto. Isso implicou pendurar-me do tabuleiro superior da ponte D. Luís para desenrolar uma faixa vertical de 50 metros (e eu tenho tanto medo de alturas!). Acompanhou-me na descida o meu amigo Bruno, e a controlar as cordas de alpinismo o meu amigo Pedro P.. A Ana estava também lá, claro, e só não desceu porque o vento tornou tudo muito complicado. Fomos abertura de 4 telejornais (de todos os canais da época).
  • 1995: depois de 4 anos como delegado de informação médica – sim, é verdade – tornei-me repórter freelance (e não bastava a fotografia, tive também de aprender a escrever peças jornalísticas)
  • 1995-2007: viagens, viagens, viagens… afinal era um verdadeiro repórter freelance! Mas sempre com olhar muito atento às questões ambientais: dos orangotangos do Bornéu às tartarugas de Cabo Verde, dos troncos gigantes serrados na Amazónia, ao consumismo exacerbado de Nova Iorque.
  • 1998: com outros ativistas, encerrei a cadeado o acesso a uma lixeira ilegal em plena zona dunar, responsabilidade do próprio município de Espinho. Entregámos as chaves do cadeado à então ministra do ambiente, Elisa Ferreira, frente a um batalhão de jornalistas, enquanto esta inaugurava a ETAR do concelho (desgraçadamente também construída em cima das dunas!). O presidente da câmara ficou da cor do meu fato-macaco: branco!
  • 1999: uma viagem de 5 meses leva-nos até à China, Mongólia e Coreia do Sul. Quase sempre entre minorias étnicas e gente humilde, consolidámos o nosso respeito pelos povos que vivem em harmonia com a natureza
  • 2000: numa ação conjunta da Greenpeace e da Quercus para impedir a entrada de madeira tropical ilegal em Portugal, prendi-me à ponte móvel do porto de Leixões. A ponte não levantou, o navio não passou e teve de atracar noutro cais. Fui detido, passei a noite na esquadra e fui a tribunal na manhã seguinte: saí com termo de identidade e residência e fiquei temporariamente impedido de sair do país (mas safei-me da pena efetiva de 6 anos de cadeia por “desvio de embarcação”). A Ana, grávida de 6 meses do nosso primeiro filho, pediu-me para não me meter mais vezes nestas alhadas. Eu acatei.
  • 2000: nasce a minha filha e passei a portar-me bem.
  • 2000: pouco depois, o meu carro foi baleado pela Polícia Judiciária na marginal de Gaia, enquanto eu conduzia em direção ao Porto. A bala entrou mas não me atingiu. Mas isto não tem nada a ver com o meu ativismo… é só mais uma história (era uma bala perdida quando tentavam alvejar o último elemento de um gangue, que infelizmente fugiu na minha direção).
  • 2003: nasce o meu segundo filho – passei a portar-me ainda melhor
  • 2004-2010: dediquei-me de corpo e alma às reportagens, workshops, passeios fotográficos, viagens fotográficas, procurando incutir, de forma tão subtil quanto persistente, preocupações de cariz ambiental nos meus leitores, alunos e clientes.
  • 2010: mudei-me com a família para uma aldeia do Nordeste Transmontano: um sítio sem eucaliptos onde ainda reina a floresta autóctone e, graças a ela, uma impressionante biodiversidade – o melhor sítio de Portugal. Já merecia isto há muito tempo!
  • 2017: nasce este blog com a pretensão de fazer de cada leitor um ativista no dia-a-dia: é pegar ou largar (mas aviso já que neste crescendo de alterações climáticas, largar é morrer!).

Havia muito mais para contar, mas o essencial do perfil está apresentado. Agora, é seguir os posts que aí vêm – coisas verdadeiramente sérias que eu desejo explicar num constante exercício de liberdade provocatória… como nos bons velhos tempos.